

Silvio Cruz, de 60 anos, caminhava pela avenida Governador José Malcher, no bairro de São Brás, em Belém, na manhã desta sexta-feira, 27, quando se deparou com um ônibus do Hemopa em frente à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Curioso, ele parou, perguntou do que se tratava, seguiu para o trabalho e, horas depois, no intervalo do almoço, retornou. Não perderia a oportunidade de voltar a doar sangue,um ato solidário que sempre fez parte de sua vida.

A mobilização, que chamou a atenção de quem passou pelo local, fez parte da programação das campanhasFevereiro Roxo e Fevereiro Laranja,promovidas pela Sesma. A ação contou com a parceria do Hemocentro do Pará (Hemopa), que levou uma unidade móvel para a frente da secretaria, permitindo que a população e também servidores municipais contribuíssem com a doação.



Davison Yuri Sena, de 21 anos, atua na Sesma como estagiário. Apesar da pouca idade, tem consciência sobre a importância da doação de sangue. Ele sentiu na pele essa necessidade quando o avô precisou de transfusões e, desde então, tornou-se doador.

Ao longo do mês, as campanhas Fevereiro Roxo e Fevereiro Laranja levaram ações às unidades de saúde e à Casa do Idoso, reforçando a conscientização sobre doenças crônicas, leucemia e a importância da doação de medula óssea. Pensando nisso, as referências técnicas de Doenças Crônicas Não Transmissíveis e de Idosos e Pessoas com Deficiência da Sesma organizaram uma ação conjunta com o Hemopa, com o objetivo de captar doadores, reforçar o estoque de sangue e cadastrar possíveis doadores de medula óssea.
O cadastro é realizado pelo hemocentro por meio do Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome).
“Foi uma campanha pensada com muito carinho. Tentamos sensibilizar os servidores das secretarias próximas para virem doar, além das pessoas que passavam na rua. Aproveitando que é uma área bem movimentada, falamos sobre as campanhas, principalmente sobre o Fevereiro Laranja, que é de combate à leucemia, trazendo essa pauta e reforçando a importância do cadastro de medula óssea”, afirmou Maria Fernanda Costa, coordenadora da Referência Técnica de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Sesma e da campanha Fevereiro Laranja.
De acordo com a coordenadora de Idosos e Pessoas com Deficiência da Sesma e da campanha Fevereiro Roxo, Paola Oliveira, a ação também é fundamental para pacientes que vivem com doenças crônicas.
“A gente atua nesse reforço para que as pessoas doem sangue e aumentem o estoque, pensando também em contribuir com pacientes que convivem com o lúpus.Dependendo do tratamento, eles podem precisar de transfusão”,explica.


Para Vanessa Pimentel, assistente social da Gerência de Captação de Doadores do Hemopa, a parceria foi estratégica durante o inverno amazônico, período em que as doações tendem a diminuir, especialmente após as festas de fim de ano e o Carnaval.
“Normalmente, quando realizamos uma campanha de doação de sangue, oferecemos também a opção de cadastro para doação de medula óssea. Podem se cadastrar pessoas entre 18 e 35 anos. Caso haja compatibilidade com algum paciente, o voluntário poderá ser chamado para realizar a doação. Em relação ao sangue, essa ação com a Sesma foi crucial para reforçar o estoque no pós-Carnaval e neste período chuvoso.Existem períodos sazonais em que o desafio para manter os estoques é maior, como festas de fim de ano, Carnaval e inverno amazônico,inclusive por causa dos quadros gripais, que podem impedir a doação e dificultar o deslocamento das pessoas”, comenta.
Ao longo de toda esta sexta-feira, 62 voluntários se dispuseram a doar. Após a triagem, 47 foram considerados aptos e efetivaram a doação de sangue. Cinco pessoas realizaram o cadastro para doação de medula óssea.


Vanessa explica como funciona o serviço para quem tiver interesse em se cadastrar:
“Sempre oferecemos essa opção. Se o voluntário não puder doar sangue, não tem problema, porque o cadastro de medula não depende da doação de sangue. Fazemos a coleta de5 ml de sangue,que segue para o Hemopa, onde é realizado um exame chamado HLA, uma prova de compatibilidade. O cadastro e o resultado ficam registrados no Redome. A pessoa só precisa manter os dados atualizados, inclusive por aplicativo, para ser localizada caso seja compatível e possa ajudar pacientes com leucemia e outras doenças”, finaliza.
Fevereiro Roxo– Voltado à conscientização sobre lúpus, fibromialgia e doença de Alzheimer. São doenças crônicas, muitas vezes invisíveis, que não têm cura, mas contam com tratamento e acompanhamento qualificado por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Fevereiro Laranja– Dedicado à conscientização sobre a leucemia, com ênfase na importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado, da doação de sangue e do cadastro para doação de medula óssea.
Lúpus– Doença autoimune crônica em que o sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do próprio corpo, podendo afetar órgãos como pele, articulações, rins e coração. Os sintomas mais comuns incluem fadiga, dores articares e lesões cutâneas.
Fibromialgia– Caracteriza-se por dor crônica generalizada, fadiga intensa e distúrbios do sono. Pode estar associada a fatores físicos ou emocionais, impactando significativamente a qualidade de vida.
Doença de Alzheimer– Transtorno neurodegenerativo progressivo que provoca perda de memória e comprometimento das funções cognitivas. O diagnóstico precoce é fundamental para o manejo adequado e para melhor qualidade de vida do paciente e da família.
Leucemia– Tipo de câncer que se origina na medula óssea, caracterizado pela produção descontrolada de células sanguíneas anormais. O diagnóstico rápido e o tratamento adequado aumentam significativamente as chances de sucesso terapêutico.
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